A saúde mental tem ganho crescente destaque e, apesar de ainda haver um longo caminho a percorrer, já se vislumbra um distanciamento em relação aos dias em que o estigma dominava o panorama da doença mental. Contudo, a saúde mental masculina continua a necessitar de um mês dedicado à sua consciencialização por forma a criar oportunidades para podermos refletir sobre maneiras para promover as necessárias e prementes mudanças.
É impossível aflorar este tema sem falar do facto de, historicamente, os homens estarem associados a imagens de maior independência, robustez e de reserva emocional. Esta imagem poderá levar a uma maior supressão de emoções e a que as pessoas evitem procurar ajuda quando se deparam com uma dificuldade mental.
Afinal de contas, “um homem não chora”, frase que repetidamente os homens ouviram em crianças (na adolescência já não a terão ouvido, pois o choro ou já estava ausente ou era feito em segredo).
Assim, é frequente que alguns homens se sintam menos à vontade para falar sobre os seus sentimentos, pensamentos, emoções, dificuldades e que tenham menos à vontade para pedir ajuda e apoio psicológicos.
A juntar a isto, acresce o facto de os estudos mostrarem uma preocupante disparidade na saúde mental entre homens e mulheres, com os homens a pedir menos ajuda ao mesmo tempo que se suicidam mais. De facto, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a taxa de suicídio entre homens é significativamente mais elevada em comparação com as mulheres, um dado alarmante que sublinha a urgência de abordar esta questão.
Assim, este mês é especialmente importante, pois confere uma oportunidade para quebrar os tabus e promover a mudança. É crucial que continue a desmistificar a saúde e doença mental e se incentive todos, e em particular os homens, a procurarem ajuda sem sentirem vergonha, fraqueza ou frustração e inferioridade. Pedir ajuda é, na verdade, um ato de coragem.
Que consigamos, neste mês, falar mais sobre o assunto e agir, dentro das nossas possibilidades e nas nossas redes de contacto, por forma a conseguir alterar esta realidade com vista a um futuro melhor onde a saúde e a doença mental sejam prioridade para todos e onde a pessoa possa ser tratada com a seriedade, compaixão e empatia que merece.
Dra. Roberta Frontini
Especialista em Psicologia Clínica na Clínica de Neurociências e Saúde Mental
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