O ano de 2024 trouxe avanços significativos, desafios e novas discussões no campo da saúde mental. Desde os impactos das mudanças sociais às inovações tecnológicas e ao reforço da importância do autocuidado, várias vertentes mudaram este ano.
O pós-pandemia
Embora a pandemia de COVID-19 tenha ficado para trás, os seus efeitos continuaram a manifestar-se em 2024, principalmente no que diz respeito à saúde mental.
No pós-pandemia, houve uma valorização da discussão sobre doença e saúde mental concomitantemente a um aumento de sintomas de ansiedade e depressão devido à pressão acumulada nos últimos anos.
O papel dos profissionais de saúde mental ganhou ainda mais relevância, sublinhando a necessidade de investimento em serviços acessíveis e inclusivos. Ainda hoje muitas pessoas nos procuram referindo o início das dificuldades com o início da pandemia.
A inteligência artificial
Em 2024, o uso da Inteligência Artificial na doença e saúde mental alcançou novos patamares, trazendo benefícios e desafios significativos:
- Diagnósticos mais rápidos e precisos;
- Maior utilização de aplicações em contexto clínico;
- Melhoria na previsão de resultados;
- Desafios éticos e deontológicos;
- Entre outros.
As redes sociais e o consumo digital
O debate sobre o impacto das redes sociais na saúde mental esteve em destaque em 2024. Estudos revelaram como o consumo excessivo de conteúdos digitais pode exacerbar sentimentos de isolamento, inadequação e ansiedade.
Estudos importantes conseguiram explorar o tempo mínimo a partir do qual o uso de redes socias se transforma em malefícios, não só para os mais jovens, mas também para os adultos.
O aumento da literacia em saúde
O investimento nas áreas da literacia em saúde tentou responder a este aumento de necessidade por parte das pessoas. As universidades passaram a ter uma maior consciencialização destas questões e reforçaram a importância de levar, para o público geral, o que de bom se faz em ciência.
A saúde mental no local de trabalho
Este ano, as empresas e organizações apostaram ainda mais na adoção de políticas mais inclusivas, promovendo equilíbrio entre vida pessoal e profissional e reduzindo o estigma associado a pedir ajuda.
A saúde mental nas crianças e adolescentes
Em 2024 sentimos um aumento de pedidos de ajuda por parte das gerações mais jovens, fruto de uma maior divulgação de questões de saúde mental nas redes sociais e de uma maior aposta na literacia em saúde mental. Ainda existe muito estigma na saúde mental, mas começamos a sentir um esbatimento desse mesmo estigma em algumas pessoas.
Os avanços na psicoterapia e tratamentos farmacológicos
No campo clínico, também houve avanços significativos. Os estudos anteriores que demonstram a eficácia da integração da terapia cognitivo-comportamental com práticas de aceitação e compromisso (ACT) e medicação aumentou.
Adicionalmente, houve avanços na utilização de tratamentos farmacológicos, incluindo investigações promissoras sobre o uso de determinadas substâncias. Assim, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida recomendou a criação de regras para o uso clínico de substâncias psicadélicas, como o ayahuasca, o MDMA, a cetamina ou a psilocibina.
O reforço das políticas públicas em saúde mental
Em Portugal, houve um reforço das equipas multidisciplinares nos cuidados de saúde primários, um passo importante para garantir maior acessibilidade. A criação e promoção de campanhas de sensibilização para reduzir o estigma continuaram a ser fundamentais para a construção de uma sociedade mais consciente e inclusiva.
O ano de 2024 foi marcante para a saúde mental, com avanços importantes e desafios contínuos. A crescente valorização do bem-estar psicológico, combinada com inovações tecnológicas, políticas públicas mais robustas e uma abordagem inclusiva, demonstra que a saúde mental está, cada vez mais, no centro das preocupações globais.
Este progresso reforça a necessidade de continuar a investir na sensibilização, no acesso aos cuidados e no fortalecimento das redes de apoio, para que 2025 seja ainda mais promissor neste campo. E nós, na Clínica de Neurociências e Saúde Mental, cá estaremos para acompanhar estes avanços e ajudar a promover o bem-estar das pessoas que procuram o nosso apoio.
Dra. Roberta Frontini
Coordenadora da Psicologia na Clínica na Clínica de Neurociências e Saúde Mental do Hospital Cruz Vermelha
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