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Perder peso, para ganhar vida. Tratar a superobesidade com cirurgia bariátrica

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O Dia Mundial da Obesidade, até à data comemorado no dia 11 de outubro, passa a partir deste ano a ser celebrado hoje, dia 4 de março.

Mais de metade dos portugueses (67,6%), acima dos 15 anos, têm excesso de peso ou são obesos. Dados divulgados no relatório Health at a Glance colocam Portugal no quarto lugar da lista dos países da OCDE com mais obesos. Apesar dos progressos registados na última década, estes números são pouco animadores e fazem com que a equipa do Serviço de Doenças Metabólicas e Cirurgia Bariátrica do Hospital da Cruz Vermelha (HCV) volte a falar de um dos doentes mais resilientes que está a ser tratado desde junho de 2019.

O Nuno Miguel Santos tem 36 anos e realizou uma cirurgia bariátrica para tratar a superobesidade de longa data. Com um peso de 252Kg, corria risco de vida. Uma intervenção complexa em plena pandemia, deixo-o no rumo da perda de peso. Antes de realizar a cirurgia no HCV em maio de 2020, o Nuno já não conseguia caminhar nem trabalhar. Tinha também apneia do sono e, por isso fazia trabalhos durante a noite, no computador. O ponto de viragem aconteceu na penúltima Passagem do Ano quando foi obrigado a ficar em casa, sozinho, porque não cabia no carro.

O primeiro passo para a mudança deu-se quando procurou o nosso cirurgião, Prof. Rodrigo de Oliveira –  “Realizei uma avaliação metabólica minuciosa, reeducação alimentar e avaliação com a equipa multidisciplinar: endocrinologista, cardiologista, nutricionista e psicólogo. Optámos pelo início de terapia intensiva médica, com inibidores do apetite injetáveis, medicações para melhora de distúrbios metabólico do colesterol, edema hepático gorduroso, ácido úrico, hipertensão e diabetes”, especifica o especialista do HCV.

O médico frisa que “a obesidade é uma doença metabólica crónica que está no fator genético” e refere que “o preconceito faz com que estes doentes não se tratem convenientemente”. De facto, o caso de Nuno serve para exemplificar que há solução.

Assim, depois da primeira fase, o Nuno colocou um balão intra-gástrico, para redução drástica de peso e para diminuir eventuais riscos durante a intervenção cirúrgica. Em fevereiro 2020, “o balão intra-gástrico foi retirado, devido a várias queixas de refluxo e por ter atingido a meta dos 210Kg. Mesmo com o quadro mundial da pandemia, resolvemos agendar a cirurgia bariátrica para maio de 2020, porque havia risco de voltar a ganhar peso e um risco aumentado do Nuno à exposição com infeção pelo Coronavírus. A obesidade é o principal fator de risco para os casos graves”, relata o Prof. Rodrigo de Oliveira.

O Nuno fez uma excelente recuperação da cirurgia, sem qualquer complicação, e tem vindo a ser acompanhado pela equipa multidisciplinar do Pro. Rodrigo Oliveira, pesando atualmente 120Kg. Hoje, o Nuno já consegue desempenhar atividades simples de movimentação, tais como caminhadas mais longas, apertar atacadores, tomar banho e ficar de pé ao chuveiro, e todas as outras que parecem comum ao ser humano. A sua felicidade vai ao encontro de seu resultado de perda de peso e melhora metabólica, já não tendo necessidade de tratamento para hipertensão arterial e outras limitações clínicas que tinha antes da sua cirurgia.