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Prof. Dr. Borges da Costa: “A melhor forma de aumentar a sobrevida é um diagnóstico precoce”

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No âmbito do Dia Europeu do Melanoma, o coordenador da Dermatologia no Hospital Cruz Vermelha, Prof. Dr. Borges da Costa, deu recomendações de prevenção, diagnóstico e tratamento, e apontou os fatores de risco que contribuem para o desenvolvimento do melanoma. O Dermatologista destacou ainda os fatores diferenciadores do Hospital Cruz Vermelha e a equipa experiente, responsável por orientar este tipo de casos.

Qual é a importância do Dia Europeu do Melanoma?

O Dia Europeu do Melanoma serve para consciencializar a população europeia. É organizado pelas várias sociedades científicas europeias, pela União Europeia, e serve para alertar para o risco de cancro de pele.

A data escolhida, que é em maio, tem que ver com o início da época balnear, que começa a partir de junho. Portanto, nesta altura, tentamos consciencializar as pessoas para a incidência do cancro de pele e para a utilização da  proteção solar.

Quais são os principais fatores de risco?

Os principais fatores de risco são o tipo de pele de cada pessoa e os hábitos de exposição solar. As pessoas mais claras e com história familiar de cancro de pele têm maior risco de desenvolver a doença. O principal fator de risco, independentemente do tipo de pele, é o grau de exposição à radiação ultravioleta.

Assim, o melhor tipo de prevenção que podemos adotar é reduzir a exposição à radiação, nomeadamente evitar a ir à praia entre as 11h00 e as 16h00, não fazer desporto ao ar livre nessa altura e, se existir necessidade de trabalhar ao ar livre nesse espaço de tempo, usar chapéu, vestuário mais comprido, protetor celular, reduzindo o risco de desenvolver um cancro de pele.

Como é que o diagnóstico precoce pode influenciar o tratamento?

O melanoma, quanto mais precoce o diagnóstico, menor é a sua espessura. A espessura do melanoma é o maior fator de risco para a necessidade de cirurgias mais alargadas, eventualmente até de imunoterapia.

A melhor forma de reduzirmos o risco e aumentar a sobrevida dos doentes é ter um diagnóstico precoce. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maior a sobrevida dos doentes.

Quais são os avanços tecnológicos mais recentes no tratamento do melanoma?

Existem vários avanços no tratamento do melanoma. Alguns no nível diagnóstico, nomeadamente as técnicas de diagnóstico que nós (Hospital Cruz Vermelha) temos, como  a dermatoscopia, que permite registar e vigiar os sinais.

No futuro, a inteligência artificial no mapeamento de nevos terá um papel cada vez mais relevante no diagnóstico destes tumores.

Na parte terapêutica, o grande avanço foi, há cerca de10 anos, a imunoterapia. A imunoterapia permitiu que doentes que tinham uma sobrevida muito reduzida, nomeadamente doentes com metástases de melanoma, passassem a ter alguma esperança de cura e também, com os novos tratamentos que existem, maior sobrevida.

O que distingue o Hospital Cruz Vermelha na prevenção, diagnóstico e tratamento?

O Hospital Cruz Vermelha tem uma equipa de dermatologia com mais de 20 anos de experiência. Neste hospital existe também uma equipa multidisciplinar de oncologia cirurgia geral e cirurgia plástica, com a qual podemos articular para ajudar a fornecer o melhor cuidado possível a estes doentes.

Cada vez mais o tratamento e seguimento de doentes com melanoma é multidisciplinar, envolvendo várias especialidades, não só a dermatologia.

Como é que podemos contribuir para reduzir o número de casos?

Em 2022, o último ano do qual temos números, tivemos 1 215 casos. Este número de casos tem vindo a aumentar, consequência da expressão solar que houve nos anos 80 e 90 do século XX, em que não havia tanta consciencialização para o risco de cancro de pele. Este tipo de cancro demora anos a surgir, o que significa que tem muito que ver com o sol que se apanhou na infância. Por isso, para reduzirmos futuramente estas taxas de melanoma, é necessário promover um maior fator de proteção, sobretudo nos mais jovens.

Utilizar protetor solar de factor 50+, promover a utilização de chapéus nas atividades recreativas das crianças, e evitar o desporto ao ar livre nas horas de maior incidência de radiação ultravioleta. Além disso, devem ser realizados rastreios regulares para deteção dos casos com a maior precocidade possível e assim melhorar a sobrevida dos doentes.

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